Os
doze perfis de escritores aqui reunidos (João
Ubaldo Ribeiro, Lya Luft, Manoel de Barros e Paul
Auster entre eles) foram elaborados por Sergio Vilas
Boas com uma sensibilidade incomum. Em estilo marcante
e literário, ele expõe aspectos objetivos
e subjetivos de seus personagens, que se revelam pelo
que são ou pelo que deixaram de ser; em plena
ebulição de idéias ou em crise
existencial; escondidos ou evidentes em um mundo às
vezes incompreensível; vivendo conforme suas
opções ou as imposições
do destino; vigorosos diante de suas tragédias
pessoais ou atônitos frente às gratas
surpresas.
A
coletânea está iluminada também
por um ensaio provocante, no qual o próprio
Vilas Boas reflete sobre o trabalho de perfilar. Comenta,
questiona, alerta, sugere; mostra que o perfil - gênero
jornalístico nobre - transporta elementos construtivos
sutis, situados muito além dos fatos, das técnicas
e das declarações. Por isso a percepção
e a vivência são decisivas, afirma.
Enquanto
os retratos fotográficos (portraits) expressam
uma fisionomia, por mais tosca, os perfis expressam
uma trajetória humana, por mais sintética.
Explicitam-se por lembranças, geografias, circunstâncias
e interações. A lembrança faz
fluir a história; a geografia é o espaço
das ações; a circunstância é
o presente do diálogo (a interação)
que o repórter estabelece, de algum modo, com
a persona.
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