Romanesco,
jornalístico e sociológico, este livro
se tornou controverso devido ao rótulo que
recebeu: "romance-reportagem sobre imigrantes
brasileiros em Nova York". Para uns, ele é
ficção; para outros, é jornalismo
de alta qualidade. O fato é que a obra conquistou
o prêmio Jabuti (1998) exatamente na categoria
reportagem.
"Os
Estrangeiros" toca em vários assuntos
explosivos: xenofobia e racismo; choques culturais
entre brasileiros, hispânicos e norte-americanos;
máfias de falsificadores de passaportes e vistos;
solidão a dez mil quilômetros de casa;
políticas antiimigração; direitos
humanos. Mas alfineta, especialmente, uma questão-chave
para a maioria dos 125 clandestinos que Sergio Vilas
Boas entrevistou no período 1993-1994: voltar
ou não voltar para o Brasil?
Os
eixos da narrativa são as histórias
de vida do catarinense Angél Benadski e do
mineiro Plínio João dos Santos. Os dois
voaram para Nova York em 1988, época de superinflação
e desemprego. Eram os estertores da chamada "década
perdida". Plínio desembarcou no Aeroporto
JFK endividado, com o coração partido
e oprimido por conflitos existenciais; e o amalucado
Angél portava um passaporte com foto e nome
trocados.
Com
um texto ágil, repleto de suspense, Sergio
Vilas Boas oferece uma cobertura jornalística
humanizada e diversificada para o tema imigração.
Mostra, por exemplo, toda a trama de relacionamentos
e sentimentos que conduzem pessoas às fronteiras
dos países desenvolvidos em busca do que pensam
ser uma vida melhor e mais livre.
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