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Texto de
maio de 2008
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Narrativas

Entre o pescador e o pescado

Pedro Santos *

  • Conflito

Tudo começa com o olheiro. Ele fica no ponto mais alto da praia, observando. Tem olhos treinados. Assim que avista um cardume de peixes, faz sinal com as mãos, transmitindo a mensagem via rádio ou celular. “Tem uma manta logo ali.” Depois das coordenadas, o barco, que já estava no mar, solta as redes e os pescadores puxam os peixes, colocando-os em uma caixa de vintes quilos. “Vai, vai! Tem que ter a manha de cercar o peixe! Vamos!”, grita um pescador. A volta para a praia desperta a curiosidade de Márcia Santista, corretora de imóveis de São José dos Campos (SP), que está passeando por Florianópolis (SC).

“Eu vi, eles parecem crianças, pulando, festejando o que pescaram. É bonito isso, mas ao mesmo tempo é triste a morte dos peixes. Fazer o quê, né? Questão de sobrevivência”, acredita. Os peixes a que ela se refere são tainhas, cujos cardumes, em épocas de correntes marítimas frias, deixam a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e sobem pela costa atrás de águas mais quentes. É o período mais esperado pelos pescadores de Santa Catarina. Começa agora em maio e vai até meados de julho.

Essas temporadas de grande quantidade de peixes, em que se vê na televisão festa e fartura, envolvem um conflito que aumenta com o passar do tempo: o convívio entre a pesca artesanal e a industrial, que vem de muito tempo atrás.

* Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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