Pedro Santos *
Tudo
começa com o olheiro. Ele fica no ponto mais alto
da praia, observando. Tem olhos treinados. Assim que avista
um cardume de peixes, faz sinal com as mãos, transmitindo
a mensagem via rádio ou celular. “Tem uma manta
logo ali.” Depois das coordenadas, o barco, que já
estava no mar, solta as redes e os pescadores puxam os peixes,
colocando-os em uma caixa de vintes quilos. “Vai,
vai! Tem que ter a manha de cercar o peixe! Vamos!”,
grita um pescador. A volta para a praia desperta a curiosidade
de Márcia Santista, corretora de imóveis de
São José dos Campos (SP), que está
passeando por Florianópolis (SC).
“Eu
vi, eles parecem crianças, pulando, festejando o
que pescaram. É bonito isso, mas ao mesmo tempo é
triste a morte dos peixes. Fazer o quê, né?
Questão de sobrevivência”, acredita.
Os peixes a que ela se refere são tainhas, cujos
cardumes, em épocas de correntes marítimas
frias, deixam a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e
sobem pela costa atrás de águas mais quentes.
É o período mais esperado pelos pescadores
de Santa Catarina. Começa agora em maio e vai até
meados de julho.
Essas
temporadas de grande quantidade de peixes, em que se vê
na televisão festa e fartura, envolvem um conflito
que aumenta com o passar do tempo: o convívio entre
a pesca artesanal e a industrial, que vem de muito tempo
atrás.